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19-10-2026
Desde ADEGA (Asociación para a defensa ecolóxica da Galiza) queremos dar-lhe um abraço fraternal ao nosso companheiro na luta ecológica, Xosé Manuel Beiras Torrado. Muitas foram as manifestações de lembrança e de carinho que se receberam na sua homenagem. Nós preferimos deixar guardar uma pouca de distancia para dar-lhe a nossa despedida, ou o nosso até sempre.
Porque Xosé Manuel esteve connosco desde o mesmo dia da fundação de ADEGA, ou se calhar, antes desta. Reproduzimos cá a carta que ele enviara a Domingos Quiroga (1973) em que lhe manifesta a importância de criar um coletivo na defesa do nosso ambiente, mas que era imprescindível que este o fosse desde a Galiza. Uma “Asociación para a defensa ecolóxica da Galiza”. Como dizes: "Estou certo de que se non se organiza algunha forma de resistencia colectiva, os novos vándalos van estragar todo o que dean feito impunemente” .
E seus temores foram cumpridos. Os novos vândalos na forma de Capitalismo descontrolado lançam as suas gazoupas sobre Galiza em vagas sucessivas que destroem toda a nossa riqueza e enviam para fora os lucros da sua atividade. Atualmente Galiza e muito mais pobre do que era no momento em que se escreveu o Atraso Económico da Galiza em 1972, se contabilizarmos a capacidade de vida dos nossos rios, nossas rias, mares, lavras e montes. E se pudéssemos controlar a mineiria ou a produção elétrica e a organização do nosso território.
Caro Xosé Manuel, como em tantas cousas, adiantacheste ao prever o perigo da rapina e saqueio das nossas riquezas. Na tua análise que já defines como sistémica, achegas-te a análise ecológica no quadro da Teoria Geral de Sistemas e avanças no paradigma da complexidade (imprescindível para o estudo e compreensão dos ecossistemas). Como era de esperar duma mente brilhante como era a tua.
A ecologia também alerta contra o sistema capitalista e o modelo extrativo que agride nossos sistemas de produção e arrasa as nossas riquezas naturais. E contempla a realidade como algo submetido a múltiplas interações das que a doutrina económica não é a de somenos importância, como tu tens indicado em discursos e em tantos escritos. Hoje falamos de território de sacrifício e tu já adiantas este conceito como recolhe Josefa S. Contreras em Colonialismo energético (Territórios de sacrifício para a transición energética).
A tua luta foi a de todo o povo galego consciente de seu paulatino empobrecimento material, económico e cultural. A tua luta e o teu caráter marcaram um estilo de agir, autentico, honesto em que a ternura agromava através da tua justa ira contra os abusos que estragam o nosso sagrado Território. O amor a Terra sacudia-se desde o agite da tua cabeleira como faria o Deus Bantúa a maçar na bigorna em que forjava a Terra.
Foste, a todas as luzes, um ser especial, como muitos dos teus companheiros de geração que já esmorece. Entregues a paixão da defesa da Galiza. Uma geração herdeira daquela que fora sacrificada no horror da Guerra civil de Franco, marcados polos anseios inevitáveis de recuperar a Galiza da ilusão, do futuro otimista, da reconstrução, da independência sempre postergada, trágica mãe, onde “todo é porvir e non chega” que cantara Manuel Maria.
Ficamos assombradas e gratas pola magna manifestação popular que a Galiza te rendeu no teu enterro. Um fenómeno social digno de estudar e de guardar na nossa memoria gratificada. Foste capaz de mobilizar uma massa que a muitas pessoas lembrou-lhes a trazida dos restos de Castelao. Sinal que foste um homem do povo culto, fiel, honesto e também corajoso.
Vai agora em paz na barca de pedra a navegar sobre as ondas Atlânticas a procura das ilhas afortunadas do alem, onde nalgum tempo nos havemos de encontrar. Agasalharas-nos os ouvidos tocando no piano um Adios a Mariquinha ou uma Alvorada de Veiga na terra redimida. Boa travessia, caro Xosé Manuel, a ti, bem haja.
Reproduzimos cá a carta que lhe envias-te a Domingos Quiroga já citada.
ADEGA / Asociación para a defensa ecolóxica de Galiza
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